Localidade sobre o mar Morto, onde, a partir de 1947, foram encontrados manuscritos que continham livros bíblicos e outros textos pertencentes a uma comunidade judaica que vivia nas redondezas.

Os manuscritos de Qumram
A Regra da Comunidade ou Manual de Disciplina, contém os preceitos pelos quais se regia a vida comunitária. Uma colectânea de Hinos, ou Hodayot, composta em parte pelo Mestre de Justiça e em parte pelos seus discípulos, servia para a liturgia. O Pesher («comentário») Habacuc interpreta as profecias de Habacuc (séc. VII a.C.) em função de personagens e de eventos contemporâneos. A Regra da Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas descreve a batalha final contra as forças do mal.
O contexto a partir das origens
Entre os traços mais característicos que distinguem a comunidade de Qumram figuram a vida comunitária e o celibato, uma novidade no contexto do Judaísmo. Junto dos Essénios vocacionados para o celibato, havia outros que, apesar de comungarem com as mesmas ideias, se casavam para salvaguardar o princípio da procriação. A iniciação à vida comunitária que implicava a partilha de bens, fazia-se gradualmente após um período de noviciado, que podia durar vários anos.
As escavações arqueológicas trouxeram à luz as dimensões monásticas da comunidade que se podia sustentar a si própria graças a um sistema de recolha de águas e de produção de víveres que satisfazia as suas necessidades essenciais. O habitat comunitário era composto por um refeitório, onde eram servidas as comidas em comum e que, ao mesmo tempo, era utilizado como sala de reuniões, um scriptorium – como nos futuros mosteiros cristãos – onde se copiavam os manuscritos, umas oficinas, cisternas e grandes pias que serviam para os banhos rituais.
Giovanni Filoramo, Origem e difusão do Cristianismo
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