quarta-feira, 4 de maio de 2011

“Tablóides” – 4 de Maio de 1976

• Disse ou escreveu algures o grande Unamuno: «España me duele!» É o lamento do verdadeiro patriota. Dando-lhe eco sem o saber, dizia-me este exilado: «Sofro duma doença ingénita, crónica, incurável, chamada Portugal!»
• Sabemos imenso de tudo, principalmente de teorias e doutrinas: só nos falta aprender a reconhecer os direitos inatos do homem livre, do cidadão sem etiqueta nem partido, o que pensa (mal ou bem, como os outros) segundo a sua própria experiência, e não pela cabeça de outrem ou pela impulsão da manada.
• Só me sinto inclinado a um género de violência física: aquela que, serena e lucidamente, procura aplicar a justiça retributiva.
• Jean Cocteau narra algures o caso do padre que, hospedado num hotel, passou a noite sem dormir, devido aos «rumores suspeitos» que através da parede lhe chegavam do quarto vizinho. De manhã, ao queixar-se na portaria, informaram-no de que os rumores eram os da agonia de um outro hóspede...
• São em geral os defeitos daquilo ou daqueles que mais amo ou estimo que me levam a queixar-me, a criticá-los ou a discordar deles. Precisamente porque os amo é que eu desejaria vê-los perfeitos.
• Como ele era estóico e vivia só de pão com toucinho, classificaram-no de «estoicínico»...

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