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sexta-feira, 3 de junho de 2011

FLORES

     Contemplo todas as flores
de pétalas multicores
- borboletas em adejos.
As papoilas a sangrar,
nos trigais a lourejar,
são lábios pedindo beijos.

     Gosto de flores hieráticas,
de orquídeas aristocráticas
cheias de sensualidade.
Tenho amor às violetas
que fascinam os poetas
pelo fulgor da humildade.

     Lírios roxos a penar,
rosas brancas de toucar,
tudo me encanta e seduz:
fazer da vida um jardim,
numa floração sem fim,
banhar a alma de luz...

     Mas, havendo tantas flores
de capitosos odores,
nenhuma pode igualar
o primeiro bem-me-quer
que tu – menina e mulher –
me deste p'ra desfolhar!

ESTRELAS CADENTES

domingo, 29 de maio de 2011

RELATIVIDADE

     O que hoje tenho
é nada para mim.
Mas ontem, sim:
era Desejo.

     O que possuo agora
é zero, é saciedade.
Mas amanhã terá valor:
será saudade.

     O Presente é anódino e banal:
os anseios infinitos
não podem encontrar nele
satisfação integral.

     Nunca me sinto feliz
saciando os apetites,
pois o Presente cerceia
os ideais sem limites.

     Só no Passado e Futuro
viveria plenamente,
mas um foi, o outro será
para mim Tempo Presente!...

ESTRELAS CADENTES

segunda-feira, 16 de maio de 2011

INSPIRAÇÃO

     Para fazer os meus versos
não posso ficar em casa.
O tecto prende-me a alma
inquieta qual bater de asa.

     A secretária e a cadeira
não bastam para os poemas:
não cabe lá a alma inteira
nos seus variados temas.
     Irei percorrer os campos
e, envolto em flores e verdura,
ver a imagem do Infinito
nos longes da planura.

     Irei às florestas virgens
deixando longe a cidade.
Sentirei intensamente
o prazer da novidade.

     Irei ao mar e, nas ondas
movediças e inquietas,
sentirei o mar da Vida
e a ansiedade dos poetas.
ESTRELAS CADENTES