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sábado, 24 de agosto de 2013

TARDE DE MAIS...

Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...

Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!

Beijando a areia de oiro dos desertos
Procurara-te em vão! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

E há cem anos que eu era nova e linda!...
E a minha boca morta grita ainda:
Por que chegaste tarde, ó meu Amor?!...


FLORBELA ESPANCA,
in LIVRO DE SOROR SAUDADE (1923), in SONETOS (Ediclube, 1995)
Partilha de Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Florbela Espanca

Florbela Espanca
Faz hoje anos que, em 1930, faleceu a poetisa Florbela Espanca, nascida, em Vila Viçosa, na mesma data de 8 de Dezembro.