quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Aforismos & desaforismos de Aparício

Há bem cinquenta anos, encontrei num night club europeu a amiga russa dum qualquer adido diplomático português, mulher culta, que me disse: «Quando saí da Rússia passei alguns meses em Lisboa. Gostei muito da gente. Queria lá ficar. Mas os fados que ouvia, sobretudo de noite, nas ruas vizinhas, davam-me uma tal melancolia, uma tão grande nostalgia da Rússia, que não tive remédio senão fugir para Madrid...» Sim, melancolia, nostalgia. Mas o autêntico Fado (esqueçamos o das boîtes para turista ver e ouvir!) tinha mais do que isso: um tom «marinheiro» de provocação ou desafio, que veiculava (inconscientemente talvez para o próprio cantor, e decerto para os «intelectuais» e os estrangeiros que o escutavam) o sofrimento, a condenação e o anseio de revolta do povo português contra um «destino histórico» que buscava remédio.
«Que é feito de Ivan!» «Ivan? Ivan Ivanished!» (He vanished – sumiu-se. Com perdão do inglês...)
[JRM, 4/2/1977]

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