domingo, 6 de março de 2011

Os Cordoeiros: Sábado, Março 6 [2004]

As fotografias

A Patrícia foi, de passeio, ao Porto. Quando fotografava o Palácio da Bolsa, um homem, talvez entre os 20 e os 25 anos, abeirou-se dela e, num ápice, arrancou-lhe a bolsa de mão. Ainda esboçou, sem êxito, um gesto de defesa. Viu-o contornar, já ao longe, a esquina que dá para a Igreja de S. Francisco. Tinha ficado sem os documentos e algum dinheiro.
Foi à Polícia dar queixa do sucedido. Como tivesse declarado que reconheceria o tratante, puseram-lhe à frente uma boa centena de fotografias. Depois de as ter percorrido por mais de uma vez, indicou uma delas como sendo a da pessoa que a teria assaltado.
Com esta informação, a Polícia localizou, com alguma sorte, o dito e encontrou na sua posse os documentos da Patrícia. Somando estes elementos, concluiu quem seria o autor dos factos e, organizado o expediente, remeteu-o às autoridades judiciárias.
É evidente que no expediente não se juntou o conjunto das fotografias com as quais a Patrícia foi confrontada. Nem tinham, à face da lei e do bom senso, de serem juntas.
O procedimento utilizado pela Polícia no caso da Patrícia é usual e tem permitido o sucesso de algumas investigações. O reconhecimento através de fotografias é um elemento de prova legal, muitas vezes sem o qual não é possível desenvolver as investigações posteriores.
Não fosse esse reconhecimento, talvez a Patrícia nunca mais tivesse recuperado os documentos.

P.S. – O Dr. Lacão, insólito, quer que lhe expliquem a história das fotografias no caso Casa Pia. É fácil e não precisa de andar a mandar recados pelos jornais. Convoque o Dr. Souto Moura para a 1ª Comissão.

A.R.
# posto por til @ 6.3.04

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